Novelário de Donga Novais

Auteur :
Editeur : Guanabara
Nombre de pages : 132
Date de parution : 1989
Langue : portugaise
Prix :

10,00

1 en stock

Description :

Occasion, dédicacé avec une lettre à Alice Raillard .

O que se conta em Novelário de Donga Novais? Conta-se nada mais nada menos do que uma saborosa miniguerra de Tróia. A bela Lelena é objeto de desejo de todos os homens da cidade, o que desperta a fúria do seu namorado (depois marido) Lalau. Lelena é tão bela e sua juventude tão exuberante que ela perturba até mesmo seu Donga, o comandante da pantomima, além de médicos, juízes, professores e outras autoridades de Duas Pontes.

Outro personagem perturbador é o anarquista-agitador Giuseppe Fuoco, o italiano flamejante, o único habitante de Duas Pontes que seu Donga não consegue compreender, talvez porque represente o elemento transgressor e transformador, uma força histórico que se opõe ao mundo paralisado, tradicional e machista onde o ancião oracular e proverbial é venerado, onde parece que tudo é igual desde o começo dos tempos e assim ficará.

Num dos mais belos momentos da ficção brasileira, Lelena entrará na sapataria de Giuseppe Fuoco e eles viverão um momento de impasse que desmascara toda a farsa social em que todos se empenham. Ela entrará como a coquete, aquela que mexe com os homens só por desfastio, a tentadora do santo, digamos assim; ele então lhe fará uma proposta de fuga inaudita e desmedida, que mostrará a ela quanto o seu destino é pueril.

Será possível fugir de Duas Pontes, o mundo-novelo, o mundo-provérbio, de seu  Donga, a teia que ele criou (aranha tecedeira), labirinto sem entrada e sem saída?

Poética do narrar, da tessitura de intrigas, Novelário de Donga Novais é sem dúvida uma obra-prima, um exercício de estilo maravilhoso, no qual se parodia tanto a sabedoria popular quanto a cultura letrada.

Há um dito, para não fugirmos do tom proverbial, atribuído pelo próprio Autran Dourado a Guimarães Rosa: “faça pirâmides, não faça biscoitos”. Grande arquiteto (ou carpinteiro) da narrativa, Autran Dourado sempre primou pelas suas  exímias construções romanescas (A barca dos homens; Ópera dos mortos; O risco do bordado; Os sinos da agonia ), pirâmides indestrutíveis. Mas Novelário de Donga Novais é um biscoito finíssimo, uma sensacional demonstração  de como o arquiteto das coisas mais sólidas pode, com sua maestria consumada, criar algo levíssimo, imponderável, fluido, que parece que vai se desmanchar e que, no entanto, a cada ano que passa se torna mais indispensável e obrigatório.