Atlas de Fernão Vaz Dourado (1576)

Editeur : CNCDP
Nombre de pages : 32
Date de parution : 1992
Langue : portugaise
Prix :

160,00

Rupture de stock

Description :

Reprodução fac-simile do códice iluminado 171 da Biblioteca Nacional
Preparação e nota introdutória de Luis de Albuquerque.
Leitura e ordenação de topónimos de Maria Armanda Ramos Taveira e Maria Catarina Madeira Santos.
17 cartas reproduzidas + távolas
Formato italiano : 42 x 56 cm.

Sobre o cartógrafo Fernão Vaz Dourado (c.1520-c.1580) existem poucos e inseguros dados e muito do que encontramos divulgado são meras suposições. De concreto, apenas chegaram até nós cinco atlas primorosamente iluminados, com datas entre 1568 e 1580, cujo autor se identifica como Fernão Vaz Dourado e, em três deles, com o título de "Fronteiro destas partes da India". Dois dos atlas foram desenhados em Goa, e outros dois, provavelmente também, pelas informações náuticas que incluem se referirem ao sub-continente indiano. O quinto poderá ter sido elaborado em Lisboa, a ser verdade que o autor tenha alguma vez estado em Portugal. A Dourado andou também atribuído o atlas universal de 20 cartas, complementar do Livro de Marinharia de João de Lisboa (c.1560), considerando-se, actualmente, que apenas um fragmento de um mapa figurando o Índico ocidental é também de sua autoria.

Em busca de Fernão e da família Dourado encontraram os biógrafos um Fernão Vaz Dourado ferido no celebrado segundo cerco de Diu, em 1546, e um Fernão Dourado em viagens no Índico oriental, em 1543-1544 ou em 1547. Supondo que o militar, o navegador-comerciante, e o cartógrafo-iluminador seja o mesmo homem, ele poderia ser filho de Francisco Dourado, moço de câmara, que em 1513 embarcou em Lisboa para a Índia, e lá casou, em 1519. Levantam-se ainda as hipóteses de a mãe ser indiana, de Fernão ter estudado em Goa, próximo do círculo do Colégio jesuíta de São Paulo ou, pelo contrário, ter vindo jovem a Portugal e estudado na Universidade, em Lisboa ou já em Coimbra, e de ter voltado à Corte, por breve período, no fim da vida, a acompanhar o vice-rei D. Luís de Ataíde, de quem era protegido. Tudo são suposições como é o Iluminado 171, da Biblioteca Nacional, em Lisboa, ser um atlas da sua autoria. Mas, com quase toda a certeza, trata-se de um sexto atlas de Fernão Vaz Dourado.

"Tudo é confuso e misterioso quanto à história deste atlas" - referem Armando Cortesão e A. Teixeira da Mota, que, com o 2º Visconde de Santarém foram os maiores estudiosos do autor e da sua obra. Santarém atribuiu o atlas ao cartógrafo João Freire e datou-o de 1546; os autores dos Portugaliae Monumenta Cartographica, na esteira do Conde de Ficalho e de Ernesto de Vasconcellos inscrevem-no com segurança entre os trabalhos de Dourado e dizem-no elaborado entre 1575 e 1580, provavelmente c.1576.

O volume terá dado entrada na Biblioteca Nacional durante a I República vindo das colecções reais do Palácio das Necessidades. D. Luís e D. Carlos tiveram pelo atlas uma particular atenção. O primeiro, a quem se reconhecem dotes no campo da pintura, copiou alguns dos mapas; o segundo mandou fazer um fac-símile manuscrito, exibido na primeira grande exposição nacional de cartografia, organizada pela Sociedade de Geografia de Lisboa, em 1903-1904. Antes, no final dos anos 40 do século XIX, sabemos ter o atlas feito parte das bibliotecas do senhor Ferron, sócio da Société de Géographie de Paris, e de João Martens Ferrão Castello Branco, exilado miguelista radicado em Paris, como o Visconde de Santarém, dedicando este último à obra uma primeira e detalhada análise. Como e quando chegou a Paris e como e quando chegou ou voltou a Portugal está por saber.

O códice encadernado é constituído por 20 fólios de pergaminho, de 38,5x51,5 cm, dobrados ao meio. Não tem frontispício, não apresenta autoria ou data e compõe-se de 1 fólio com elementos cosmográficos, 2 com tábuas de declinação solar e 17 onde se figuram cartas geográficas. Os elementos cosmográficos de interesse náutico foram detalhadamente estudados por Luís de Albuquerque na edição fac-similada do atlas, publicada pela Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, em 1991.

Os 17 mapas que constituem o atlas surgem ao leitor numa sequência geográfica, como se de uma viagem de circum-navegação se tratasse. A superfície da Terra observa-se através de largas e sucessivas janelas. Desde o Estreito de Magalhães são percorridos os litorais ocidentais do Oceano Atlântico até ao extremo Norte do Canadá, "saltando" o Brasil, que surgirá mais tarde, como escala na viagem Europa-Oriente. Seguem-se as costas ocidentais do Atlântico Norte, da Escandinávia à Península Ibérica, o Mediterrâneo (Ocidental e Oriental), a África ocidental, o Brasil, a África meridional, Madagáscar e a África oriental, o Índico ocidental e oriental, os litorais orientais da Ásia e os arquipélagos da Oceania, o Pacífico e, finalmente, os litorais ocidentais do continente americano.

Esta apresentação de mapas é em tudo semelhante às que encontramos nos atlas de Vaz Dourado, datados de 1570 e de 1575, eles também com 17 cartas. Aí, apenas se altera ligeiramente a localização das cartas referentes ao Brasil e às costas da Califórnia. A apresentação dos mapas dos três outros atlas de Dourado, em especial os que apresentam áreas particulares, de grande escala, terão outras leituras explicativas.

A esta sequência geográfica liga-se uma pensada construção geométrica que subjaz no estabelecimento das "janelas" e na sua própria construção interna. Quando pensamos estar perante mapas de escalas distintas, atendendo aos valores de latitudes que se apresentam, concluímos que são sempre, aproximadamente, rectângulos de 40º de latitude por 50º de longitude, apesar desta última coordenada não estar indicada e de a sua apreciação ser difícil.

Oito dos mapas apresentam na base ou no topo a linha do Equador, prolongando-se para Norte ou para Sul perto de 40º de latitude. Dos restantes, dois têm por limite Norte o Círculo Polar Árctico, e outros dois "partem", respectivamente, do Círculo Polar Antárctico e do Trópico de Capric&oa


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