As flores do Inferno e Jardins suspensos (vol. II de « Os Romances de Lobo Antunes »)

Editeur : Dom Quixote
Nombre de pages : 378
Date de parution : 2010
Langue : portugaise
ISBN : 9789722040433
Prix :

16,00

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Description :

As Flores do Inferno aborda linhas de significação matriciais nos romances de António Lobo Antunes, em reflexão elaborada sem grandes precauções de coerência metodológica, a que me apetecia mesmo chamar um «ensaio-promenade» [para quem não é versado em dança, o termo, segundo explica a autora, "alude ao passo chamado «promenade», em que o bailarino, com as mãos na cintura da bailarina, e ajudando-a a manter-se em pontas, se passeia em volta dela para sublinhar a sua figura cénica – o que me pareceu similar ao que eu estava fazendo com os textos de ALA."]. Determinada embora por princípios teóricos que são os meus, e desenvolvida segundo preceitos de rigor textual que sempre tento cumprir, reconheço a esta reflexão o carácter de liberdade crítica e de comunicação expansiva que procedem da experiência longa e vivida da leitura e da arte. Concentro-me na análise da força intensiva, ou disseminada, da palavra – e defendo que a intensidade dessa força é, sempre que experenciada, manancial de prazer e conhecimento que dá vigor e lastro ao quotidiano.

Jardins Suspensos obedece ao desejo de estudar o conjunto das crónicas do autor, pois formam um universo de escrita no qual tem de se reconhecer uma peculiar originalidade e assinalável qualidade poética. Elas são parte complementar da mundividência dos romances , particularmente dos sectores temático, simbólico e composicional, de que o primeiro ensaio dá conta, constituindo estes dois escritos um todo de (neste caso, inesperada - mas encontrada!) coerência interpretativa. Seguem-se os meus Estudos sobre ALA (apenas os apresentados em língua portuguesa) que tiveram uma anterior publicação dispersa.

Flores e inferno surgem quando o narrador «olhava o rectângulo do espelho que bebia as flores como as margens do inferno o perfil aflito dos defuntos», Conhecimento do Inferno. E chegam até O Arquipélago da Insónia: a prima Hortelinda, tal a Parca, entrega sorrindo um ramos de goivos a quem anuncia que vai morrer; e a Que Cavalos São Aqueles..., onde Beatriz (nome que no latim insinua alegria , e evoca a musa do Inferno de Dante) liga a sua morte à da mãe («digo que as roseiras floriram sozinhas») e alude ao crematório do quintal: «será paz ou ardemos e não reparamos?»; sua irmã Rita fantasia na dor do cancro «a crepitação das roseiras». As Crónicas, de quotidiano concreto, evocam sonhos de antanho, situações fantasiosas em redes de sentido onírico, aureolado de lenda. Nelas emerge o jardim, em acerto de plantas e flores (resistência mítica à usura do tempo), reduto de respiração e hipótese de beatitude. Cenário de figuras (Eles, no jardim), torna-se lugar de suspensão de seres, fixação do que na memória resta. Pequeno lugar edénico, «o que se me afigura arbustos ou árvores, o que me dá ideia de flores», é o que se salva da morte e do olvido.


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